Com atuação do MPES, vítima mantida em cárcere privado por 10 anos pelo tio é resgatada na Bahia

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Rio Bananal, atuou para resgatar uma mulher de 25 anos, mantida em cárcere privado pelo tio durante 10 anos, no interior da Bahia. A vítima foi resgatada nesta quinta-feira (19) e já se encontra com a família, enquanto o tio, ao perceber a presença da Polícia, fugiu para uma mata próxima ao local e encontra-se foragido.

De acordo com os autos, o tio passou a coagir a vítima em 2014, quando residiam no município de Rio Bananal, e cometeu o primeiro abuso sexual contra ela ao descobrir que mantinha “paqueras” na escola. No início de 2015, o homem teria obrigado a sobrinha a fugir com ele, alegando que, caso contrário, mataria ela e a família. Na época, a vítima tinha 15 anos de idade.

Na ocasião, a adolescente deixou apenas uma carta para a família, dizendo que iria embora. O pai da vítima procurou então o MPES e a Delegacia de desaparecimento, mas não foi possível localizá-la.

Entretanto, recentemente, a vítima conseguiu fazer contato com uma prima e relatou que somente deixou a residência da família porque estava sendo ameaçada pelo tio. A vítima também relatou que durante o tempo em que foi mantida em cárcere, sem aceso à internet, sofreu violência física e psicológica, ameaças, inclusive com armas de fogo, e abusos sexuais.

A partir do contato da vítima com a prima, o pai procurou novamente o MPES, que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar o caso. O órgão requereu então pedidos de prisão temporária e de busca e apreensão contra o tio, que foram cumpridos pela Delegacia de Rio Bananal.

Os pedidos foram requeridos por haver indícios suficientes de que o tio é autor dos crimes de sequestro e cárcere privado, estupro, ameaça, porte ilegal de arma de fogo, entre outros. Na residência onde a vítima foi resgatada, local de difícil acesso, foram encontradas armas de fogo, que não teriam autorização legal, mas eram utilizadas pelo tio nas ameaças contra a sobrinha. As investigações seguem em sigilo.