Caso Hotel da Ilha: réus são condenados a 39 anos de prisão por tentativa de homicídio

Após 20 horas de julgamento, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, obteve nesta terça-feira (01/07) a condenação de dois réus pelo crime de tentativa de homicídio qualificado contra Juan Aurélio Gomez Fernandez, dono de um hotel no bairro Andorinhas, em Vitória. Somadas, as penas totalizam 39 anos de prisão.

O crime ocorreu em 31 de março de 2022. Os réus, que estavam presos preventivamente, vão cumprir a pena em regime inicialmente fechado.

O Tribunal do Júri foi realizado no Fórum Criminal de Vitória. O Ministério Público, por meio da 14ª Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, sustentou as provas contidas no processo que levaram à condenação dos réus Macário Almeida Souza da Silva e Carlos de Matos Lopes.

Eles foram condenados por tentativa de homicídio qualificado (por motivo torpe, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e crime cometido contra pessoa idosa).

Individualmente, as penas foram as seguintes:

•          Macário Almeida Souza da Silva (mandante): 20 anos e 5 meses de prisão

•          Carlos de Matos Lopes (executor): 18 anos e 8 meses de prisão.

A pena de Carlos foi menor porque, na época do crime, ele tinha menos de 21 anos.

Outros dois réus, Davi da Purificação Neves e Gabrielly de Paula Batista, foram absolvidos a pedido do Ministério Público, porque a participação deles no crime não ficou claramente demonstrada.

O julgamento começou às 8h de segunda-feira (30/06). No primeiro dia, foram ouvidas presencialmente duas testemunhas, além de exibidos vídeos de depoimentos da vítima, falecida em 23 de maio deste ano, e de duas testemunhas arroladas pela defesa.

Os trabalhos foram retomados às 8h desta terça-feira (01/07), com os debates entre defesa e acusação. O Tribunal do Júri desse caso estava previsto, inicialmente, para ser realizado nos dias 7 e 8 de abril.

Entenda o caso

O crime ocorreu em 31 de março de 2022, no Hotel da Ilha, de propriedade de Juan Aurélio. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), o réu Macário Almeida Souza da Silva, insatisfeito com cobranças de dívidas referentes ao aluguel de um bar localizado no térreo do hotel, planejou o assassinato de Juan para se livrar da obrigação financeira.

A mando dele, o réu Carlos de Matos Lopes invadiu o hotel e desferiu diversas facadas na vítima, de 64 anos.

No dia do crime, Macário desligou a energia do hotel para facilitar a ação do comparsa. Carlos entrou no local, foi até o quarto da vítima, que acreditava se tratar de hóspede reclamando da falta de luz, e atacou a vítima com uma faca.

Carlos também portava uma arma de brinquedo. A vítima, mesmo gravemente ferida, fingiu-se de morta, foi posteriormente socorrida por uma equipe do Samu e sobreviveu após atendimento hospitalar.

Outros crimes

Além da tentativa de homicídio qualificado, o réu Carlos de Matos Lopes ainda responde por outros crimes cometidos na ocasião. Após a vítima ser encaminhada ao hospital, Carlos voltou ao hotel, subtraiu diversos bens de Juan Aurélio e abusou sexualmente de uma mulher que estava no local.  Esses crimes são descritos em outros processos.