Seminário sobre saúde mental de jovens discute garantias legais e obstáculos para cuidado efetivo
08/08/2025
Metade de todas as condições de saúde mental tem início por volta dos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada nem tratada, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Conforme o Panorama da Saúde Mental do Instituto Cactus, jovens brasileiros entre 16 e 24 anos estão entre os mais afetados por problemas dessa natureza.
Para compreender e enfrentar essa realidade, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), do Núcleo de Proteção aos Direitos da Juventude (NEJU) e do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CAIJ), promoveu, nesta sexta-feira (08), o seminário “Saúde Mental dos Jovens: garantias e desafios”. O evento ocorreu no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça.
O evento
O seminário abordou as garantias legais e os principais obstáculos para o cuidado efetivo da saúde mental de jovens, reunindo membros do MPES, servidores, estagiários, terceirizados, Conselheiros Tutelares, Assistentes Sociais, Psicólogos, Educadores Sociais e equipes da rede intersetorial que atuam com crianças e adolescentes.

Compuseram a mesa de honra o Procurador-Geral de Justiça do MPES, Francisco Berdeal; a Promotora de Justiça e Coordenadora do NEJU, Renata Colnago; a Promotora de Justiça e Dirigente do CAIJ, Valéria Bastos Duarte de Moraes; a Coordenadora da Infância e Juventude da Defensoria Pública, Adriana Pérez Marcos dos Santos; o Major Eliano Cautini Jesus, comandante da Patrulha Escolar; Sueli Cruz, representando a Secretaria de Direitos Humanos; e Francelli da Costa Garnier, representando o Secretário Estadual de Saúde, Tyago Hoffmann.
Abertura
A Dirigente do CAIJ agradeceu a presença de todos e ressaltou a importância de refletir e discutir sobre a saúde mental dos jovens. Já a Coordenadora do NEJU destacou que o tema deve ser tratado de forma articulada entre as instituições.
O Procurador-Geral de Justiça contextualizou o debate no cenário de uma sociedade marcada pela hiperatividade, hiperprodutividade, materialismo e consumo, além da influência das redes sociais, que expõem jovens a comparações com padrões muitas vezes inalcançáveis, gerando pressão e ansiedade.
“Agradeço a oportunidade de trazer esse tema para debate no âmbito do Ministério Público, porque é um tema fundamental para que possamos, como instituição, auxiliar nossos jovens a terem uma vida melhor, que é o que todos merecemos”, afirmou.
Palestras
A primeira mesa, intitulada “Juventudes e Escola em Tempos Desafiadores: Cuidados, Tecnologias e Bem-Estar”, contou com a participação da Pedagoga Telma Pilleggi Vinha e do Comandante da Companhia Independente de Patrulha Escolar, Major Eliandro Claudino de Jesus. O Promotor de Justiça e membro do NEJU, Fernando José Lira de Almeida, atuou como mediador.
A palestra abordou os impactos das transformações sociais e culturais da última década, ressaltando como a pressão por reconhecimento e pertencimento, intensificada pelas redes sociais, tem fragilizado emocionalmente adolescentes, resultando em conflitos e violências nas escolas e no ambiente familiar. Telma Pilleggi reforçou a urgência de estratégias educativas e de cuidado integradas, capazes de gerar aprendizagens no contexto escolar.
A segunda mesa foi mediada pela Promotora de Justiça e Subcoordenadora do NEJU, Jéssika Lima da Luz. As palestrantes Luizane Guedes Mateus, Coordenadora da Escola de Conselhos do Espírito Santo, e Bruna Lídia Taño, Terapeuta Ocupacional e Professora do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Espírito Santo, abordaram o tema “Desafios e Compromissos para o Cuidado em Saúde Mental de Jovens”.
As exposições destacaram a diversidade de juventudes e a necessidade de considerar, nas políticas públicas, as diferentes realidades atravessadas por recortes de raça, classe e gênero. Bruna Taño concluiu enfatizando a importância da implementação de políticas públicas e da articulação intersetorial para assegurar os direitos de crianças e adolescentes.