MPES obtém a condenação de três réus por homicídio qualificado praticado por mando em Laranja da Terra
15/12/2025
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) obteve, em julgamento realizado na terça e quarta-feira (9 e 10/12), em Domingos Martins, a condenação de Laudson Carlos Dias, Hermenegildo Palauro Filho (conhecido como “Judinho”) e Dionathas Alves Vieira pelo homicídio qualificado de Sílvio Camargo Dias, ocorrido em 7 de julho de 2017, no distrito de Ribeirão, em Laranja da Terra. Cada um deles foi condenado a 17 anos de prisão em regime fechado. Eles já estavam presos e não poderão recorrer da sentença em liberdade.
O crime foi cometido mediante pagamento ou promessa de recompensa e com recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme demonstrado pela Promotoria de Justiça durante o julgamento.
As investigações demonstraram que Hermenegildo e Dionathas estavam envolvidos em outro caso de grande repercussão no Espírito Santo, o assassinato da médica Milena Gottardi, ocorrido em Vitória, em setembro de 2017, dois meses depois dos fatos em Laranja da Terra. Ambos foram contratados pelos mandantes do homicídio da médica após vitimarem Sílvio Camargo.
A conexão entre os crimes confirmou a importância e a gravidade do caso, bem como os riscos representados pelo grupo criminoso, especializado em crimes de mando.
A sessão do Tribunal do Júri começou na terça-feira (9/12) e se estendeu até às 14h do dia seguinte, dada a complexidade do caso e o número de testemunhas, réus e advogados. Os Promotores de Justiça Evaldo Teixeira e Valtair Lemos Loureiro representaram o Ministério Público no júri.
O julgamento foi desaforado de Laranja da Terra a pedido das defesas dos réus e foi realizado no Fórum de Domingos Martins com reforço policial.
Motivação financeira
Conforme demonstrado na denúncia e confirmado pela instrução criminal, o homicídio foi encomendado por Laudson Carlos Dias, que mantinha desavenças com a vítima, relacionadas a negócios em comum. Para executar o crime, Laudson contratou Hermenegildo (“Judinho”), que atuava como intermediário. Este, por sua vez, acionou Dionathas Alves Vieira, executor dos disparos.
Na noite do crime, a vítima participava com a família de um encontro na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Após o culto, ao caminhar em direção ao seu carro, Sílvio foi surpreendido por Dionathas, que se aproximou a poucos metros de distância e efetuou disparos de arma de fogo.
O ataque ocorreu diante de dezenas de pessoas, que deixavam o evento religioso. A ação foi planejada para que Hermenegildo permanecesse nas proximidades, em um veículo, para dar cobertura à fuga, enquanto Laudson, o mandante, se retirava do local instantes antes para construir um álibi.